04/06/12, 17:09
A terceira turma do
Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) decidiu nesta
segunda-feira (4) pela soltura do ex-sargento da Aeronáutica Idalberto
Matias de Araújo, o Dadá, preso durante a Operação Monte Carlo da
Polícia Federal e acusado de ser um espião que atuava com grampos
ilegais a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira.
A
terceira turma do TRF, no entanto, fez a ressalva de que Dadá está
impedido de manter contato com outros denunciados e também não pode
deixar a comarca de seu domicílio. O araponga reside com sua família em
Brasília. O TRF também determinou que Dadá não poderá ser solto caso
haja outro processo com pedido de prisão em vigor contra ele.
Na
outra operação relacionada ao esquema de Cachoeira, a Saint-Mitchel –
coordenada pela Polícia Civil do DF –, não há mandado de prisão para
Dadá, segundo o Ministério Público do Distrito Federal.
Segundo
o desembargador Cândido Ribeiro, a decisão será encaminhada ao presídio
e deve ser cumprida de imediato. Dadá, segundo os magistrados, foi
beneficiado com uma medida cautelar. Esse dispositivo o impede de manter
contato com os outros denunciados envolvidos na Operação Monte Carlo.
Se Ministério Público ou Polícia Federal comprovarem que Dadá voltou a
fazer contato com outros integrantes da organização, ele pode voltar a
ser preso.
Na
semana passada, o relator do processo, desembargador Tourinho Neto,
havia votado a favor da soltura, mas um pedido de vista do desembargador
Cândido Ribeiro adiou a decisão. Nesta segunda, Cândido acompanhou o
relator. Para ele, não há sentido no argumento do Ministério Público de
que Dadá era "cabeça pensante" da organização.
"Como um sujeito que é cabeça pensante de uma organização como a de Cachoeira, recebe somente R$ 5 mil?", disse Cândido Ribeiro.
Em
depoimento na semana passada à CPI do Cachoeira, criada no Congresso
para apurar a relação do bicheiro com agentes públicos e privados, Dadá
ficou em silêncio e não respondeu perguntas dos parlamentares da
comissão. Segundo a PF, além de atuar no esquema de arapongagem, Dadá
também ajudava o contraventor a procurar servidores de órgãos federais
para tentar se beneficiar.