Torres cala, senador grita e sessão encerra
Ele afirmou que usará direito da Constituição de 'permanecer calado'
O presidente da CPI do
Cachoeira, Vital do Rêgo (PMDB-PB), decidiu encerrar a sessão de
depoimento do senador Demóstenes Torres (sem-GO) nesta quinta-feira (31)
após a recusa dele em falar aos integrantes. Demóstenes chegou à CPI às
10h40 e logo afirmou que não responderia a perguntas e permaneceria em
silêncio durante a sessão, usando a "da faculdade prevista na
Constituição Federal de permanecer calado."
Senador Demóstenes Torres
O
final da sessão foi conturbada com um bate-boca entre os senadores
Silvio Costa (PTB-PE) e Pedro Taques (PDT-MT). Assim que Demóstenes
manifestou a intenção de não falar, Costa começou a questionar a postura
do colega, o chamando de "hipócrita" e "mentiroso".
"O
seu silêncio é a mais perfeita tradução da sua culpa! Desse jeito você
vai ter 80 votos pela cassação do mandato! Você é um demagogo, você vai
ser processado por propaganda enganosa!", bradou Costa. "Se o céu
existir, o senhor não irá para o céu, porque o céu não é lugar de
mentiroso. Não é lugar de gente hipócrita!", disse.
Taques
então pediu a palavra e repreendeu a postura de Costa, defendendo o
direito de Demóstenes ficar calado. "A Constituição diz que devemos
tratar a todos com humanidade. Não cabe a qualquer parlamentar expor ao o
outro, mesmo em se tratando de CPI", afirmou.
Silvio
Costa se irritou com o comentário de Taques. De pé e com dedo em riste
disse ao senador: "Você é um merda!". Com a troca de ofensas, o
presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) encerrou a sessão e
liberou Demóstenes Torres.
Silêncio
No
início de sua fala, após dizer que iria ficar calado, Demóstenes
informou que iria encaminhar à comissão as notas taquigráficas e a
degravação do depoimento que deu na última terça (29) ao Conselho de
Ética do Senado, onde responde a processo por quebra de decoro
parlamentar.
"Comunicamos
que nós permaneceremos calados, uma vez que nosso advogado está
providenciando junto ao conselho de ética a degravação desse depoimento
que eu fiz bem como as notas taquigráficas da sessão para que sejam
encaminhadas a essa CPI", afirmou.
Nesta
terça, Demóstenes falou por mais de cinco horas no Conselho de Ética do
Senado, que o investiga por quebra de decoro parlamentar. O senador é
suspeito de ter utilizado o mandato para beneficiar os negócios do
contraventor. Demóstenes negou a acusação.
Em
discurso e após ser interrogado por parlamentares, ele voltou a afirmar
que é amigo de Cachoeira, admitiu que o contraventor pagava sua conta
de celular, mas negou que tivesse conhecimento de irregularidades
cometidas pelo bicheiro. Demóstenes disse que vive o "pior momento" de
sua vida e que se sente traído por Cachoeira. Ele afirmou ser vítima do
"maior massacre da história".
"Nunca
sofri tanto na minha vida. Eu sou um homem que tem vergonha na cara.
[...] Eu sou um carola", disse Demóstenes aos demais parlamentares.