Após dois
adiamentos, o que levantou suspeitas de acórdão entre PSDB, PT e
PMDB, a CPI do Cachoeira decidiu na tarde desta quarta-feira, 30,
aprovar a convocação dos governadores de Goiás, o tucano Marconi
Perillo, e do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz. Os
integrantes da comissão, contudo, rejeitaram pedido para trazer o
governador do Rio de Janeiro, o peemedebista Sérgio Cabral.
A convocação
de Perillo foi aprovada por unanimidade, com o apoio em peso da
oposição, um dia depois de o governador ter feito uma visita de
surpresa à CPI colocando-se à disposição para depor. Já o
pedido para a vinda de Queiroz, que teve que demitir seu ex-chefe de
gabinete Cláudio Monteiro por suspeita de envolvimento com o
esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira, recebeu 16 votos
favoráveis e 12 contrários. Cabral, por sua vez, teve 17 votos
contra sua chamada e 11 a favor.
Recurso.
Pouco antes, a comissão rejeitou, por 18 votos a nove, recurso da
oposição para tentar votar em conjunto a convocação dos três
governadores. O PSDB tentou, sem sucesso, fazer uma votação única
com o argumento de que todos são chefes de Executivo estadual.
'Nós não
queremos participar de farsa que ponha debaixo do tapete os
problemas dos outros governadores', afirmou o líder do PSDB na
Câmara, Bruno Araújo (PE). 'Nós temos que convocar, de maneira
isonômica, os três governadores que têm suspeitas que se
avolumam', disse o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).
O senador
Humberto Costa (PT-PE) disse que a situação dos três governadores
não é a mesma. 'Nós vamos chamar o governador do Rio de Janeiro
porque ele botou um guardanapo na cabeça e ficou dançando, é
isso?', questionou ele, referindo-se ao episódio em que Cabral
aparece em fotos com o ex-dono da Delta Construções Fernando
Cavendish em um jantar na Europa. A Delta é suspeita de ter
sociedade oculta com Carlinhos Cachoeira.